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I MOSTRA IJÃ MYTYLI DE CINEMA MANOKI E MYKY

TEMPOS DE CURA

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Há mais de um ano vivenciamos uma situação de grande sofrimento para a humanidade. A doença que se impôs nas vidas humanas traz consigo um momento oportuno de desacelerar e repensar nas relações com os outros seres vivos que coabitam o planeta. Há quanto tempo impomos sofrimento aos que não são humanos, destruindo suas moradas e aniquilando sua sobrevivência? Nós, povos indígenas Manoki e Myky, apresentamos a mostra “Tempos de Cura” visões de outros mundos possíveis, que já existem entre nós, mundos em que respeitamos a convivência com as Mju’u, as várias “Mães da Terra”, que nunca foi uma só.

Na primeira sessão, “Tempos de Cura”, apresentamos seis filmes realizados em 2021 e um realizado em 2020, que falam dos tempos atuais da doença e de suas respectivas curas, seja por meio dos conhecimentos ancestrais ou pelos conhecimentos científicos. Na segunda sessão, “Tempos de Aprendizado”, mostramos os documentários mais antigos do Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky, seja quando os jovens davam seus primeiros passos nos registros com as câmeras, seja nos momentos em que continuamos sempre aprendendo com os nossos mais velhos.

Dedicamos esses trabalhos em especial ao público brasnortense, que vive no território habitado por nossos ancestrais, no qual sempre foram bem recebidos por nós, os primeiros anfitriões dessa terra. Desejamos que a nossa convivência com os kewa (os não indígenas) seja sempre respeitosa e pacífica. Para isso, é tempo de conhecer mais, através de nossos documentários, os nossos modos de existência, para que reconheçam os nossos direitos e nossa dignidade.

Sessão 1: Tempos de Cura

Pinjawuli: o veneno me alcançou
Ano: 2021 | 2 min

Entre a ficção e o documentário, o filme é baseado em um sonho que o próprio Bih Kezo, diretor do curta, teve. Os povos Manoki e Myky sabem que os seres que compartilham o mundo com os humanos estão pedindo ajuda, sobretudo para os indígenas, que conhecem a existência das Mju’u, as mães da terra. No filme, o avião persegue Bih por todas as partes da aldeia, assim como na realidade: as aeronaves que passam veneno nas lavouras vizinhas sobrevoam constantemente a aldeia Paredão, em Brasnorte-MT. Sempre na época após o plantio, a comunidade sente o cheiro de veneno dentro da aldeia, o que causa grande preocupação às famílias considerando o crescente número de agrotóxicos que vêm sendo liberados no Brasil, sobretudo nos últimos cinco anos.
 

Direção: Bih Kezo
Realização: Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky

Sã’ananãkini: Vocês me escutam
Ano: 2021 | 13 min

O filme narra a história de vida do ancião Alípio Iranche Xinuli, sua infância como órfão, a ida para a missão jesuíta de Utiariti, o casamento e sua volta à terra indígena, onde abriu uma nova aldeia e criou uma grande família. A partir de uma conversa com sua mãe, Valmir Xinuli, neto de Alípio e diretor do documentário, propõe uma conversa com os seus descendentes, relembrando sua caminhada nessa terra, seus ensinamentos, e episódios engraçados com seu avô, falecido no final de 2020 de covid-19, única vítima fatal desse vírus no povo Manoki.

Direção: Valmir Xinuli
Realização: Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky

Xipi käja: nossos alimentos saudáveis
Ano: 2021 | 12 min

Um relato sobre a resistência do povo Manoki durante a pandemia, por meio do consumo de alimentos saudáveis como forma de enfrentamento à COVID 19. Dirigido por Tipuici Manoki, o curta foi filmado e editado em 2021 pelo Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky, nas aldeias Cravari, Treze de Maio e Asa Branca.

Direção: Marta Tipuici Manoki
Realização: Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky

Piny Pyta: a força de nossas medicinas

Ano: 2021 | 20 min

Um relato sobre a resistência do povo Manoki durante a pandemia, por meio do uso de medicinas tradicionais e outras estratégias para lidar com uma doença que diz muito sobre o modo pelo qual os não indígenas se relacionam com os animais. Filmado e editado em 2021 pelo Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky na aldeia Paredão.

Direção: Bih Kezo e Cileuza Jemjusi
Realização: Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky

Ulapa Taka’a - criançada sabida
Ano: 2021 | 20 min


Começou como brincadeira que virou um exercício de filmagem lúdico no qual câmera, protagonistas e outros personagens interagem divertidamente e apresentam a sua comunidade. Através do olhar de quatro meninas entre 11 e 12 anos somos levados a conhecer roças, posto de saúde, escola, campo de futebol e outros espaços da aldeia Paredão, no município de Brasnorte – MT.

Direção: Bih Kezo
Realização: Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky


 

Jãkany Ãkakjey: : nossos alimentos
Ano: 2021 | 20 min

Esse curta-metragem trata da alimentação do povo Myky, em que todas as famílias têm suas roças, com variedades de alimentos. Além disso, existe a roça comunitária, onde se trabalha com um ritual sagrado, chamado de Yetá. Todas as famílias participam dos preparativos, as roças são derrubadas no período seco e queimadas logo em seguida, enquanto isso as sementes são guardadas à beira do fogo para que sejam plantadas no início das chuvas e colhidas no ano seguinte O filme mostra um pouco dos preparativos desse ritual, como a colheita de mandioca feita pelas mulheres Myky. Na sequência do filme, algumas pessoas mais velhas falam sobre os alimentos tradicionais e os novos tipos de comida com que convivemos na atualidade.

Direção: Typju Myky

Realização: Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky
 

Comunidade Myky contra covid-19

Ano: 2020 | 6 min

Até aquele momento, mesmo que o coronavírus ainda não tivesse chegado às famílias do povo Myky, no noroeste de Mato Grosso, a população se mobilizava para evitar a doença. Uma porteira foi construída na estrada que conecta o território às cidades, as idas ao município diminuíram, os mais velhos fizeram remédio e rezavam para sua proteção, algumas famílias realizaram acampamentos de pesca para se distanciar ainda mais dos perigos. Um registro realizado por Typju Myky de um difícil contexto, sobretudo para os povos indígenas, que se espera superar num futuro próximo.

Direção: Typju Myky e Minã Myky
Realização: Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky e Rede CineFlecha

Sessão 2: Tempos de Aprendizado

Jamäxi Kany'i Pyriny - O cesto de Jamäxi

Ano: 2021 | 12 min

Jamäxi Myky nos leva a uma aula detalhada de como fazer o pyri, o cesto cargueiro do povo Myky, também conhecido como xire na região. Trançado com taquaras que tirou da floresta, a elaboração do cesto por Jamäxi é um mergulho nas relações de humor, afeto e sabedoria entre um homem mais velho e três moças que o eternizam por meio das gravações desse curta-metragem. 

 

Direção: Kamtinuwy Myky, Mãnynu Myky e Takarauku Myky Realização: Coletivo Ijã Mytyli de CInema Manoki e Myky

Mãkakoxi Kany’i Ynpakje’y - Os anéis de Mãkakoxi
Ano: 2020 | 5 min

O coco de tucum é um elemento muito utilizado pelos artesãos indígenas para a confecção de diversos artefatos em seu cotidiano. Três jovens mulheres Myky gravam pela primeira vez o processo de fazer os anéis de tucum com Mãkakoxi, um habilidoso artesão da aldeia Japuíra, localizada na Amazônia brasileira, região noroeste do estado de Mato Grosso.
 
Direção: Kamtinuwy Myky, Mãnynu Myky e Takarauku Myky

Realização: Coletivo Ijã Mytyli de CInema Manoki e Myky

Tecendo nossos caminhos
Ano: 2019 | 6 min
 
Apenas seis anciões da população Manoki na Amazônia brasileira ainda falam o idioma indígena, um risco iminente de perderem essa importante dimensão de seus modos de existência. Decididos a retomarem seu idioma com os mais velhos, os mais jovens decidem narrar em imagens e palavras seus desafios e desejos. A partir da analogia com a fragilidade do algodão que vira fio forte para suportar o peso na rede, Marta Tipuici fala da resistência de seu povo, sua relação com a avó e a esperança de voltarem a falar sua língua nas novas gerações.
 
Direção: Cledson Kajoli, Jackson Xinunxi e Marta Tipuici
Realização: Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky / LISA-USP

Ãjãí: o jogo de cabeça dos Myky e Manoki
Ano: 2019 | 49 minutos

Sinopse: O Ãjãí é um divertido jogo em que somente a cabeça dos jogadores pode encostar na bola. Essa prática, compartilhada por poucos povos indígenas no mundo, está presente entre as populações Myky e Manoki de Mato Grosso, falantes de um idioma de família linguística isolada. Jovens indígenas do povo Myky decidem filmar e editar pela primeira vez o seu jogo, para divulgá-lo fora das aldeias. Mas para organizar essa grande festa, seus jovens chefes encontrarão alguns desafios pela frente.

Direção: Typju Myky e André Lopes
Realização: LISA-USP / Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky

Os espíritos só entendem o nosso idioma
Ano: 2019 | 5 min

Apenas seis anciões da população Manoki na Amazônia brasileira ainda falam o idioma indígena, um risco iminente de perderem o meio pelo qual se comunicam com seus espíritos. Apesar desse ser um assunto difícil, os mais jovens decidem narrar em imagens e palavras a sua versão dessa longa história de relações com os não indígenas, falando sobre as suas dores, desafios e desejos. Apesar de todas dificuldades do contexto atual, a luta e a esperança ecoam em várias dimensões do curta-metragem, indicando que “a língua manoki viverá!”.
 
Direção: Cileuza Jemjusi, Robert Tamuxi e Valdeilson Jolasi
Realização: Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky / LISA-USP


 

Vende-se Pequi
Ano: 2013 | 24 min

O povo indígena Manoki vive no noroeste de Mato Grosso e uma de suas atividades produtivas é a venda de pequi na estrada que passa por sua terra. Durante uma oficina de vídeo, jovens decidem mostrar para o mundo um pouco de suas aldeias e do processo de coleta e venda desse fruto. Instigados pela possibilidade de filmarem e serem os próprios protagonistas, eles saem à procura dos velhos numa tentativa de descobrir se existe alguma história sobre a origem do pequi.

Direção: João Paulo Kajoli e André Lopes
Realização: Ponto de Cultura Centros de Memória Indígena Manoki / LISA-USP

O Batizado dos Meninos Manoki
Ano: 2009 | 114 min

Em 2009, depois de 14 anos sem realizar o ritual de iniciação masculina à vida adulta, em razão da mensagem recebida em um sonho, da possibilidade de reunir um grande grupo de meninos e da oportunidade de gravar o evento, os Manoki decidiram realizar novamente a cerimônia. Essa foi a primeira experiência em que os próprios jovens indígenas começaram a gravar as suas imagens. Esse momento de retomada foi muito importante para o povo, que voltou a realizar cerimônias do gênero nos anos 2014 e 2018.

Montagem: André Lopes e Homens Manoki

Produção: Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky / Curadoria: André Tupxi Lopes

Apoio: Prefeitura Municipal de Brasnorte (MT) - Lei Aldir Blanc e FUNAI - CTL Brasnorte (MT)